sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

LA LA LAND


Não é raro ouvir alguém dizer que este ou aquele filme é “para desligar o cérebro”. Me perdoem aqueles que conseguem realizar tal operação, mas no meu entendimento, filmes nos quais eu não precisaria usar o cérebro são chamados de ruins. Dito isso, La La Land não é um projeto que inspira grandes reflexões, que rompe barreiras artísticas ou que tencione qualquer questão política. Sua trama existe apenas para justificar aquilo que sabe oferecer: uma atmosfera criada através do espetáculo audiovisual. E por entender que isso não é uma coisa ruim, e que o cinema garante liberdade suficiente para que suas obras nem sempre precisem encontrar respaldo na realidade, é que esse musical se faz merecedor da alcunha de: mágico.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ASSASSIN'S CREED


Assassin’s Creed é um filme que traz uma personagem que defende o fim da violência se opondo a um que tem no seu cerne, a agressividade como método de sobrevivência. Que a primeira seja na verdade a vilã e o segundo, o protagonista, seria ainda mais interessante pela inversão dos papéis usuais. Entretanto, como o roteiro jamais se esforça para tratar essas ideias de maneira minimamente coerente, fica claro que o longa-metragem apenas levanta essas questões de forma superficial para esconder o que realmente acaba sendo por tabela: uma confusa glorificação da violência.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

PASSAGEIROS



Partindo de um primeiro ato que é uma mistura de Lunar, 2001: Uma Odisseia no Espaço e O Iluminado, Passageiros se converte em um romance estilo Cinquenta Tons de Cinza e, por fim, termina como um filhote de Titanic com Gravidade. O surpreendente é que, apesar de navegar entre tantas premissas, o filme é bastante simples, e por isso mesmo funciona na maior parte do tempo – e menos chocante é descobrir que o projeto começa a ruir justamente quando depende de sua própria inteligência para amarrar as pontas.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ANIMAIS NOTURNOS



Constantemente preferimos a versão romantizada de um evento, ou mesmo das pessoas, e esquecemos que na maior parte do tempo a vida supera com folga a ficção em criatividade – e se você tem problemas para acreditar nisso, reveja o ano do Brasil em 2016 (ora bolas, reveja o ano no mundo!). Animais Noturnos é um filme que compreende essa dinâmica da nossa percepção da realidade com os fatos, e usa de sua própria narrativa para ilustrar o quão sujeitos estamos à subjetividade particular – e se forçar o espectador a repensar a questão da perspectiva já seria angustiante o suficiente, a atmosfera densa criada pelo longa ainda busca causar desconforto com frequência, assim como a arte produzida por sua protagonista.