sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ESQUADRÃO SUICIDA


A verdade é que Esquadrão Suicida não sabe que filme quer ser. Ou melhor, ele sabe como gostaria de ser, mas lhe falta coragem e inteligência pra chegar lá. Tente imaginar alguém palestrando sobre um tema que não domina, gaguejando de tópico em tópico enquanto emprega vários “hmmmm”, “ããhnnnn” e “unnnn” entre eles. Esse é o sentimento da primeira meia hora de projeção. A coisa é que o longa, dirigido e escrito por David Ayer (vindo do ótimo Corações de Ferro), desentende que vilões já são figuras empáticas por sua própria natureza - é muito fácil para o espectador se identificar com personagens que desprezam regras e adotam certas liberdades sociais/comportamentais, mesmo que condenemos suas ações. Ora, é isso que torna um Walter White, um Deadpool ou mesmo um Coringa concepções tão cativantes. Assim sendo, é decepcionante constatar que, além de um roteiro batido e cheio de furos, uma montagem caótica e uma direção no mínimo problemática, o filme ainda investe em um esforço vazio para sensibilizar o público sobre seus anti-heróis.

sábado, 4 de junho de 2016

WARCRAFT: O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS


Nunca joguei Warcraft, e nem precisaria para reconhecer que o longa-metragem baseado no game é divertido e dramaticamente satisfatório. Filmes têm que se sustentarem sozinhos, independentes de qualquer outra obra na qual tenham se baseado, e nesse aqui é facilmente percebida a origem nos consoles, uma vez que não só alguns planos fazem questão de remeter a isso, como recorrentemente o roteiro incorpora a lógica de jogos (magias que custam energia para serem usadas, ou duelos com chefões cada vez mais difíceis, por exemplo). Apesar disso, e fugindo da sina de que sofrem a maior parte das adaptações desse tipo de mídia, O Primeiro Encontro de Dois Mundos funciona ao abraçar uma estrutura bastante cinematográfica.

terça-feira, 31 de maio de 2016

ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO


Com um ritmo um pouco melhor do que o longa anterior, Alice Através do Espelho nos leva de volta ao País das Maravilhas, um mundo que, apesar de mágico, colorido e imaginativo, infelizmente parece ainda não refletir essas características nas jornadas investidas pela protagonista. Embora muito menos entediada como personagem, Alice se depara novamente com uma aventura burocrática, que carece de criatividade no roteiro em quantidade diametralmente oposta àquela vista na sua concepção visual. E a decepção só fica maior ainda quando o filme passa a lidar com viagens no tempo, e desperdiça o ótimo potencial que esse tipo de história pode gerar.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

X-MEN: APOCALIPSE


A força dos filmes X-Men nunca residiu apenas em seus méritos técnicos, ou unicamente em figuras emblemáticas, mas sim numa pauta que, transferida da nossa realidade para um mundo de fantasia, ganhou poder representativo e, portanto, humano. A aceitação das próprias diferenças e singularidades é um tema que conversa com a história de qualquer sociedade, principalmente nos dias de hoje, quando minorias e grupos sociais oprimidos como os LGBT, os pobres, os negros e as mulheres lutam para garantir igual direito a espaço entre os demais. Portanto é apenas apropriado que Bryan Singer, dirigindo o seu quarto filme da franquia dos mutantes, decida apelar na já tradicional sequência de abertura dos créditos, para um túnel que atravessa as eras da humanidade e seus diversos e tão únicos estilos, não deixando de passar também pela suástica nazista e nos lembrar não só do impacto que aquele movimento teve na história humana, como também o que ele representou: o extermínio de qualquer um que fugisse a um padrão estritamente estabelecido. Por isso que é um tanto frustrante que X-Men: Apocalipse, diferente dos 5 filmes anteriores da franquia, se concentre tão pouco nas questões políticas e sociais que antes eram o mote de todas as tramas, ainda que funcione ocasionalmente como algo a mais do que mais um filme de super-heróis.