quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

APOSTAS OSCAR 2017


Este ano vai! Mais uma vez estou aqui, arriscando a minha credibilidade pra tentar dar uma prévia do que deve ser esse que é o mais cobiçado reconhecimento do cinema mundial: a minha nota. Tá, ok, é o Oscar – mas um dia a gente chega lá.

Depois de estabelecer uma média de acertos que, na pior das hipóteses, tem sido razoável nos últimos anos, volto a listar aí em baixo, naquele velho esquema, quem deve levar o quê. Não que essa edição esteja difícil de prever, afinal, na dúvida, aposte em La La Land – mesmo se for para Melhor Curta Documentário. O musical tem vários carequinhas dourados caindo na sua mão, e outros tantos se fazendo de difíceis, mas que no final devem acabar cedendo aos charmes do filme de Damien Chazelle.

O que me deixa um pouquinho (mas só um pouquinho mesmo) triste, pois, embora goste muito do longa-metragem em questão, sou mais fã de A Chegada, cujo timing, infelizmente, já chegou e foi embora – vide a notória ausência de Amy Adams entre as indicadas a Melhor Atriz. Aliás, que ano difícil para se eleger apenas uma performance feminina forte, assim, além de Adams, a categoria acabou deixando de lado Sônia Braga (Aquarius), Sandra Hüller (Toni Erdman), Annete Bening (Mulheres do Século 20), Taraji P. Henson (Estrelas Além do Tempo), e a lista segue.

Outra curiosidade é o número de filmes indicados em categorias “menores” e que são, como obras, muito superiores a alguns daqueles indicados a Melhor Filme, e Um Limite Entre Nós e Lion, por exemplo, poderiam facilmente dar lugar a títulos como Silêncio, Elle, Mulheres do Século 20, A Tartaruga Vermelha, Toni Erdman, A 13ª Emenda, Animais Noturnos, O Lagosta, Capitão Fantástico e, aqui também, a lista segue.

Até o Último Homem é outro que poderia estar de fora da premiação como um todo. É ruim? Não, é um ótimo filme, mas infelizmente está cercado pela personalidade de Mel Gibson que, assim como os ideais de seu longa-metragem, propaga mensagens que propiciam um ambiente favorável ao conservadorismo – e se o filme ou Gibson ganharem algum espaço de fala ou reconhecimento, não vai ser nada bom, com Trump fechando aí seu primeiro mês de mandato já com altas confusões no currículo.

Enfim, ponderações feitas, vamos ao que interessa:


MELHOR FILME:
QUEM DEVERIA GANHAR: A Chegada, ora, que dúvida! Um filme que fala sobre os potenciais de união da linguagem dentro de uma trama de ficção-científica que usa, veja só, da própria linguagem pra traduzir seus conceitos? O eu otimista acredita que ainda existe alguma chance desse jovem clássico sair campeão, mas né, here’s to the fools who dream...
QUEM VAI GANHAR NA REAL: ...porque nós sabemos que essa estatueta já tá na mão de La La Land, pra fúria de muita gente. Já eu, gosto muito do filme (por favor, não pare de ler aqui por causa disso) e, aparentemente, a Academia também. Além do mais, ele levou os principais prêmios até aqui, como o DGA, o PGA e o BAFTA (Globo de Ouro é piada, não dá pra contabilizar), e com suas 14 indicações aqui, já tirou a noite de letra.  
UMA BOA SURPRESA SERIA: Moonlight, que é uma obra delicada que evoca temas poderosos, além de extremamente necessários nos debates da nossa atualidade – premiá-lo, aliás, seria o oposto de premiar Até o Último Homem.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Até o Último Homem, claro. O estranho desse ano é que, o filme que eu menos quero ver ganhando aqui, não é o que considero o pior. Como expliquei antes, dar esse espaço de reconhecimento para Mel Gibson e seu filme seria muito nocivo, e incorporaria mais um discurso conservador à atmosfera já retrógrada em que estamos vivendo hoje no mundo. Sim, ficaria mais feliz (ou menos revoltado, como preferir) de ver Lion, por exemplo, como Melhor Filme, do que esse outro – aliás, se Lion vencesse também mandaria alguém se foder, provavelmente os Weinstein. “Mas Yuri, tem chances desse Lion, que eu nem vi, ganhar alguma coisa?”, bom, Oscar é publicidade e politicagem, e os irmãos Weinstein, produtores do filme, são famosos por emplacarem as suas apostas, então segue uma imagem aí, e você me diga se o filme tem alguma chance:



MELHOR DIREÇÃO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Denis Villeneuve, por A Chegada. Depois de ter realizado em sequências obras tão densas e primorosas como Incêndios, Os Suspeitos, O Homem Duplicado e Sicário: Terra de Ninguém, o cineasta conseguiu a façanha de entregar o seu filme tematicamente mais ambicioso – e que alcança com sucesso as suas aspirações.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Damien Chazelle, que atesta seu talento em La La Land, depois de já ter feito um ótimo trabalho com Whiplash. Além disso, o diretor venceu o DGA e o BAFTA, então não deve deixar espaço pra concorrência.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Barry Jenkins, por Moonlight, que lança um olhar surpreendentemente poético sobre universos que normalmente são vistos em recortes mais crus e brutais.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Mel Gibson, por Até o Último Homem. Imagina o que significaria para o mundo se, na nossa configuração política atual, a nata de Hollywood glorificasse um artista que, por mais competente que seja, é assumidamente retrógrado em quase todos os campos do entendimento – pra usar de eufemismos e não chama-lo de misógino, racista, homofóbico, antissemita, etc. Não pegaria bem, né?

MELHOR ATRIZ:
QUEM DEVERIA GANHAR: Sônia Braga, por Aquar... Ah, ela não foi indicada é? Tá, ok, então: Isabelle Huppert, por Elle. O papel exige uma entrega física e emocional que a atriz alcança com naturalidade assustadora, e essa seria a única chance de premiar o filme, que é uma obra memorável e completamente fora dos padrões que a Academia costuma aceitar.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Emma Stone, por La La Land, que ganhou tudo até aqui. Além disso, a atriz já está no radar da Academia há algum tempo, já tendo sido indicada por Birdman.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Se indicassem Amy Adams no último minuto, mas como isso não deve ocorrer, não seria nada mal ver Natalie Portman levando por Jackie.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Ah, que blasfêmia, mas Meryl Streep né. “Ela tá mal no papel?” Nunca, cala essa boca leitor hipotético, qual o seu problema!? Tá falando da Meryl Streep, porra!... Tá, tô mais calmo agora, pode me soltar, ok, onde eu tava? Ah é: Não é isso, é que Florence não é realmente um filme muito bom e a atriz já foi demasiadamente reconhecida, sendo que uma delas foi pelo enfadonho Dama de Ferro. Vamos esperar o seu próximo grande filme para premia-la de novo, ok? Ok!

MELHOR ATOR:
QUEM DEVERIA GANHAR: Viggo Mortensen, por Capitão Fantástico. Não só o ator merece, e isso há muito tempo, como o filme também tinha que ganhar algum reconhecimento, já que não está na categoria Melhor Filme.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Casey Washington... Denzel Affleck. Ok, tá, parei: Denzel Washington, por Um Limite Entre Nós. O favorito, na verdade, é o Casey Affleck, e entre os dois, seria realmente o meu voto, mas as polêmicas em volta do ator já devem ter surtido efeito a essa altura. Prova disso é que o SAG preferiu dar esse mesmo prêmio para Washington, que já é veterano e deve levar sua terceira estatueta dourada pra casa.  
UMA BOA SURPRESA SERIA: Argh, queria poder dizer Andrew Garfield, cuja doçura intrínseca é essencial para o funcionamento de seu projeto, mas como já mais do que expliquei aí em cima, não quero que Até o Último Homem ganhe holofote nenhum, então Ryan Gosling, por La La Land, não me deixaria triste, se não fosse pra ser nenhum desses outros. Aliás, é uma pena que Garfield não esteja indicado por Silêncio, onde sua inocência também lhe serve muito bem.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Gosto de todos, mas Andrew Garfield me deixaria realmente triste.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
QUEM DEVERIA GANHAR: Michelle Williams, por Manchester à Beira-Mar, que de fato trata-se de uma performance coadjuvante, e que, com poucos minutos de tela, se faz presente e relevante para todo o filme.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Viola Davis, por Um Limite Entre Nós, em que, na verdade, é protagonista. Mas aí entra aquela questão de que a categoria está sendo transformada uma série B de Melhor Atriz. Basta constatar as indicadas e vencedoras dos últimos anos. Uma pena para as artistas que realmente cumprem o papel coadjuvante, mas Davis merece um Oscar de qualquer forma, e sua carreira é calcada em personagens secundárias de destaque, então tudo bem.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Nicole Kidman, por Lion. Ao meu ver, a Academia deveria eternamente premiar Kidman sempre que tivesse a chance, como pedido de desculpas por não tê-la reconhecido por Moulin Rouge.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Octavia Spencer, com quem tenho implicância desde que venceu desmerecidamente essa mesma estatueta pelo ofensivo Histórias Cruzadas – apesar disso, não a considero má atriz, vide Fruitvale Station.

MELHOR ATOR COADJUVANTE:
QUEM DEVERIA GANHAR: Todos menos Dev Patel. Sério, olha que seleção linda essa: Jeff Bridges em A Qualquer Custo, Mahershala Ali em Moonlight, Lucas Hedges em Manchester à Beira-Mar e Michael “um dos melhores atores da atualidade” Shannon em Animais Noturnos. Só Dev Patel (que até não faz feio) destoa no padrão estabelecido pelo resto.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Mahershala Ali, por Moonlight, e vai ser bonito de ver.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Poxa, Bridges, Hedges, Shannon, escolha à vontade.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Dev Patel vencendo me daria uma preguiça até de comentar a injustiça.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:
QUEM DEVERIA GANHAR: O Lagosta, que também tinha que estar em outras várias categorias, principalmente Melhor Filme.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Manchester à Beira-Mar. Mas fiquem de olho, se a lavada de La La Land for grande, ele agarra esse aqui também.
UMA BOA SURPRESA SERIA: A Qualquer Custo, mas O Lagosta seria uma surpresa ainda melhor.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Gosto de todos os indicados aqui, não tenho nada contra nenhum deles.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:
QUEM DEVERIA GANHAR: A Chegada, obviamente.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Moonligth, mas eu ficaria de olho em Um Limite Entre Nós. Aliás, não fossem as diferentes regras de submissão dos projetos, seria fácil de prever os roteiros esse ano, já que o WGA premiou Moonlight como Original e A Chegada como Adaptado. Porém, aqui eles acabaram na mesma categoria, portanto deve prevalecer o favoritismo do texto tirado da peça autobiográfica de Tarell Alvin McCraney – que por esses motivos sociopolíticos, tem mais apelo junto aos votantes.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Se A Chegada fosse reconhecido como merece.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Lion, que desentende os potencias da linguagem cinematográfica e tem um texto aborrecidamente explicativo.

MELHOR DOCUMENTÁRIO:
QUEM DEVERIA GANHAR: A 13ª Emenda ou Eu Não Sou o Seu Negro. Ambos colocam de forma clara e dinâmica as problematizações do movimento negro, e seria de grande relevância que ganhassem essa visibilidade. Aliás, nesse sentido também seria ótimo se Fogo no Mar vencesse, pois fala sobre os refugiados que tentam adentrar na Europa – pouco atual, né?
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O.J.: Made in America, por ter levado todos os prêmios até aqui, e pela relevância que peças midiáticas têm, historicamente, no caso de O.J. Simpson, tendo em vista a sua soltura prevista para esse ano.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Fogo no Mar, que considero uma obra excepcional, com um dom de observação surpreendente por trás de um tema que, noutras mãos, poderia ser abordado de maneira extremamente burocrática.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Life, Animated, que ao contrário de Fogo no Mar, por exemplo, possui uma abordagem intrusiva e indelicada com o seu protagonista e tema, forçando-o justamente naquilo que procura destacar como sua maior fraqueza: a habilidade de interação.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Toni Erdman, se você assistiu e gostou, sabe por quê. Se assistiu e não gostou, sabe também. Sou fã confesso de Asghar Farhadi, mas O Apartamento está aquém de seu potencial. Entretanto...
QUEM VAI GANHAR NA REAL: O Apartamento, que já estaria correndo por fora de qualquer maneira, caso não fosse a proibição de Trump sobre a entrada de pessoas do Oriente Médio nos Estados Unidos, que praticamente garantiu a estatueta para o filme ao impedir o diretor Asghar Farhadi de estar presente na cerimônia.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Terra de Minas, que é um excelente exercício de tensão.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Um Homem Chamado Ove, que apesar de “divertidinho”, é um apanhado de clichês.

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:
QUEM DEVERIA GANHAR: O belíssimo A Tartaruga Vermelha.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Zootopia, que é da Disney, já teve tempo de se estabelecer no imaginário dos votantes e que, ainda por cima, traz uma trama que discursa contra a segregação.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Kubo e as Cordas Mágicas, que evoca com maestria a atmosfera solitária das aventuras de seu protagonista.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Gosto muito de todos os indicados, nenhum me faria infeliz.

MELHOR FOTOGRAFIA:
QUEM DEVERIA GANHAR: Olha, A Chegada, se eu tenho que ser coerente né, mas como ignorar os trabalhos de Rodrigo Pietro em Silêncio e James Laxton em Moonlight
QUEM VAI GANHAR NA REAL: La La Land, com seus truques práticos de filmagem, os movimentos de câmera chamativos e os longos planos que vão ficar na memória dos votantes por remeterem à “velha Hollywood”.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Silêncio ou Moonlight.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Lion, que apesar de bonito, perto dos méritos de seus colegas é quase como um vídeo amador de celular.

MELHOR MONTAGEM
QUEM DEVERIA GANHAR: A Chegada, dã!
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Uma boa montagem costuma denunciar também um bom filme, e isso está na cabeça dos votantes, acredite. Portanto, La La Land deve ser o vencedor aqui.
UMA BOA SURPRESA SERIA: A Chegada seria a única boa opção, já que ela é parte essencial do sucesso do longa enquanto narrativa.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Sinceramente, qualquer um que não seja A Chegada. Logo, vou mandar alguém longe – se quiser se candidatar, os contatos estão no final do post.

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO:
QUEM DEVERIA GANHAR: O preciosismo e o carinho que Stuart Craig emprega no design da saga Harry Potter já merecem algum reconhecimento há anos, e com Animais Fantásticos e Onde Habitam seria a chance da Academia começar a se redimir com esse universo de filmes que sempre esnobou. Mas...
QUEM VAI GANHAR NA REAL: La La Land, claro. Porque na cabeça dos votantes deve fazer sentido que um musical feito “na mão” e digno de Melhor Filme, também deva ganhar aqui.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Ave, César!, que também é uma homenagem à Hollywood da era de ouro e todo (muito bem) construído na mão. É também um filmaço dos irmãos Coen, e merece o regalo.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Passageiros, que além de ser um filme ruim, tem um design que é mais do mesmo e está aqui apenas pelo lobby, e ainda tirando lugar de gente muito, muito melhor.

MELHOR FIGURINO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Colleen Atwood por Animais Fantásticos e Onde Habitam, em que os figurinos são pensados para traduzirem perfeitamente as personalidades e arcos dos personagens.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Hmmmm... aqui é difícil. Fico com Jackie, porque a Academia parece ter gostado do filme e seria a chance de dar louros a um projeto sobre uma figura tipicamente estadunidense. Porém, pela lógica, a preferência seria de La La Land e, em segundo lugar, de Animais Fantásticos e Onde Habitam, ambos os figurinos assinados por veteranas.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Colleen Atwood, para que a saga Harry Potter pudesse passar ao título de série premiada com o Oscar.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Preguiça de Florence...

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO:
QUEM DEVERIA GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras. Porque é muito competente nessa área.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Star Trek: Sem Fronteiras: porque os dois maquiadores indicados já venceram o Oscar nessa mesma categoria pelo primeiro filme dessa nova leva; porque poucos votantes devem ter realmente visto Um Homem Chamado Ove; e porque Esquadrão Suicida, no geral, não foi bem recebido.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Um Homem Chamado Ove, cujos maquiadores já foram indicados no ano passado por O Centenário que Fugiu pela Janela e Desapareceu, e aparentemente estão se especializando em maquiagens de envelhecimento.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Esquadrão Suicida, que não tem que ganhar nada, mesmo merecendo.

MELHOR TRILHA SONORA:
QUEM DEVERIA GANHAR: La La Land, que é um raro exemplo de musical original composto para o cinema. E um que é realmente muito bom.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: La La Land. Como musicais normalmente usam músicas de outras fontes ou são adaptados de peças, é raro ter um filme do gênero nessa categoria, e com o hype do filme, premia-lo como Melhor Filme e esquece-lo aqui não faria sentido.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Jackie, em que Mica Levi compõe uma trilha dissonante que traduz perfeitamente a sua protagonista.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: PassageirozzzzzZZZzZzzzzz....

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:
QUEM DEVERIA GANHAR: “Audition”, de La La Land.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: “City of Stars”, de La La Land.
UMA BOA SURPRESA SERIA: “How far I’ll Go”, de Moana.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: “The Empty Chair”, que é uma musica chata de um filme tedioso.

MELHOR MIXAGEM DE SOM:
QUEM DEVERIA GANHAR: A Chegada, que realiza um belo e cuidadoso trabalho dosando o som do filme para que sirva à subjetividade da sua protagonista. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: La La Land, já que a Academia entende que filmes que giram em torno de músicas devem enfrentar muita dificuldade no seu departamento sonoro.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Rogue One: Uma História Star Wars, nunca é ruim premiar um Star Wars.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: 13 Horas: os Soldados Secretos de Benghazi, que é um péssimo filme.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM:
QUEM DEVERIA GANHAR: A Chegada, que realiza um belo e cuidadoso trabalho construindo o som do filme para que sirva à subjetividade da sua protagonista. 
QUEM VAI GANHAR NA REAL: La La Land, já que a Academia desentende a diferença entre Edição e Mixagem de Som, e apenas tem em mente que filmes que giram em torno de músicas devem enfrentar muita dificuldade no seu departamento sonoro.
UMA BOA SURPRESA SERIA: A Chegada, de fato, ganhar.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Sully: O Herói do Rio Hudson, que é um péssimo filme.

MELHOR EFEITOS VISUAIS:
QUEM DEVERIA GANHAR: Rogue One: Uma História Star Wars. Sim, por causa do Peter Cushing e da Carrie Fisher. Eu gostei.
QUEM VAI GANHAR NA REAL: Mogli: O Menino Lobo, que já teve tempo de ser visto por mais votantes, não tem polêmica em torno de ter ressuscitado atores, porque seus efeitos foram concebidos pela queridinha da Academia, a Weta, e porque, obviamente, merece.
UMA BOA SURPRESA SERIA: Doutor Estranho e Kubo me agradariam muito.
SE GANHAR MANDO “SE FODER!”: Inhé, todos merecem em algum nível, tô de boas.

CURTAS METRAGENS:
ANIMAÇÃO: Pear Cider and Cigarretes.
FICÇÃO: Sing.
DOCUMENTÁRIO: Watani: My Homeland.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A GRANDE MURALHA


A prática de escalar um ator branco para viver um papel que, não fossem as exigências de mercado, certamente teria sido dado a uma pessoa de outra etnia (e que é nomeada com o termo whitewashing), também acarreta normalmente em um recorte feito por lentes estadunidenses sobre culturas “estrangeiras” (para eles). Que isso aconteça nesse A Grande Muralha é ainda mais triste, pois trata-se de um filme dirigido pelo chinês Yimou Zhang, do excepcional Herói, e dos ótimos O Clã das Adagas Voadoras e A Maldição da Flor Dourada. O que faz desse ridículo tropeço apresentado aqui, um legítimo produto nos moldes ocidentais, mas que deveria vir com uma etiqueta avisando: made in China.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

JOHN WICK: UM NOVO DIA PARA MATAR


Assim como já ficara estabelecido no excelente De Volta ao Jogo (filme que precede este aqui), o universo do assassino de aluguel que simplesmente não consegue se aposentar, o tal John Wick (Keanu Reves), oferece uma narrativa menos preocupada em ser distinta por suas articulações de roteiro ou diálogo (ficaria surpreso se descobrisse que o protagonista proferiu mais do que trinta palavras dessa vez), do que na tarefa de criar sequências imersivas de ação. E desse ponto de vista, o esforço não só é bem sucedido outra vez, como assemelha-se ainda mais à criação de um musical, que substitui os números de canto e dança por uma perseguição de carros, uma luta corpo a corpo ou uma criativa troca de tiros.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A CURA


A Cura é o tipo de filme em que compramos os absurdos do roteiro graças ao talento de seu diretor para criar uma atmosfera envolvente. E convenhamos, Gore Verbinski é um cineasta talentoso e versátil – observe, por exemplo, o clima opressivo que cria em O Chamado, ou aquele melancólico de O Sol de Cada Manhã, a direção inventiva dos três primeiros Piratas do Caribe, e ainda, a abordagem épica e reverente de Rango. Só nesse apanhado, temos gêneros, técnicas e temas muito distintos, e todos igualmente eficientes. Pois aqui não é diferente, e embora talvez o realizador esteja se tornando um pouco autoindulgente (pois a trama se arrasta um pouco mais do que deveria), é inegável que o longa-metragem consegue criar um mistério palpavelmente denso com a sua narrativa.