sexta-feira, 20 de abril de 2018

EU APRENDI A RIR COM MONTY PYTHON


Foi aos 11, quando assisti pela primeira vez A Vida de Brian e perdi o fôlego gargalhando com Matthias cantarolando “Jeová!”. Entendi ali que o Humor não está contido apenas num texto estruturado e tampouco é limitado pelo recorte de uma pequena narrativa, que chamamos costumeiramente de “piada”. Definir o Humor por um conceito tão limitante é desconsiderar que a graça é inspirada muitas vezes não pelo conteúdo de um discurso, mas pela forma deste, que pode abranger (mas não limitando-se à) entonação, gestos ou mesmo a livre associação de dois elementos completamente discrepantes: como Eleitor do Bolsonaro e Democracia, por exemplo.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

CRÍTICA: DESVENTURAS EM SÉRIE - 2ª TEMPORADA


Há diversos sabores de pastel e, certamente, você já comeu alguns com recheios dos quais não gosta. Existem os que levam carne moída e um pedaço de ovo; outros têm frango e requeijão; e ainda podemos encontrar os que trazem escondida uma mensagem secreta avisando que um Conde cruel mantém o seu crítico de cinema favorito como refém. Há toda a sorte de pastéis no mundo, porque há toda a sorte de pessoas nele. Mas dentre os tipos, nenhum é mais polêmico do que o pastel de azeitona, pois há quem ame e quem odeie azeitonas, e o gosto forte contamina toda a estrutura do salgado, independentemente dos demais ingredientes serem saborosos ou não. Desventuras em Série é como um pastel de azeitona. Continue lendo aqui>>>

segunda-feira, 16 de abril de 2018

CRÍTICA: O CASO DO HOMEM ERRADO



“Essa história é a mais pura verdade, embora retrate as maiores mentiras”.

É com essa frase que começa O Caso do Homem Errado, que já adota a famosa manchete sobre a execução de Júlio César em 1987, como título. “Execução”, não “morte”. Marielle Franco foi executada, não morta. A palavra tem o poder de mudar a percepção da realidade. A linguagem é uma arma como nenhuma outra. Por isso quando se fala nos Júlios e nas Marielles, o termo correto é requerido com urgência.

O protagonista desta história era um operário, saiu pra ver o tumulto em volta de um assalto, teve um ataque epiléptico e foi levado pela Brigada Militar de Porto Alegre. Confundiram o trabalhador com um assaltante, porquê? Era negro. CONTINUE LENDO>>>

sexta-feira, 6 de abril de 2018

UMA DOBRA NO TEMPO

Depois que a própria diretora, Ava DuVernay, me citou no Twitter agradecendo eu ter elogiado o filme, não podia deixar de escrever um pouco sobre Uma Dobra no Tempo - já que definitivamente minha opinião não foi o consenso:




- No Rotten Tomatoes o longa está com 40% de aprovação dos críticos e 32% dos leitores;
- A sua nota média no Imdb é 4,2;
- No Metacritic a nota média da crítica especializada é 53, e a dos leitores é de 2,9 (!).

Acredito realmente que o filme esteja sendo injustiçado, o que também não é de todo incompreensível. Trata-se de uma narrativa focada numa menina negra introspectiva e de classe média que se interessa por física quântica. Ou seja, é um configuração muito estranha em comparação com as que o público está acostumado a assistir - além disso, é uma obra de força ímpar, focada em sentimentos. Argumentei um pouco melhor sobre esses aspectos no meu artigo para o Papo de Cinema. Acesse aí e contribua para o debate!

E não deixe de ir conferir Uma Dobra no Tempo nos cinemas, não só para adquirir uma opinião própria sobre o filme, mas também para prestigiar este que é o primeiro filme custando mais de US$ 100 milhões dirigido por uma mulher negra - independente do quanto você goste dele.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

CRÍTICA: UM LUGAR SILENCIOSO


O silêncio é parte fundamental da construção sonora de qualquer filme. As pessoas lembram da trilha, dos diálogos e dos efeitos de som, mas raramente atentam para a importância da ausência desses elementos. De modo simplista, basta dizer que sem o silêncio, o áudio de um filme seria uma série intermitente de ruídos - tipo o que ocorre em todos os Transformers. Cineastas inteligentes sabem que, se tudo é muito barulhento, inserir o silêncio pode representar um estrondo ensurdecedor para a audiência, e vice versa. Um Lugar Silencioso utiliza desse princípio com criatividade, e entende que o susto não é fruto do efeito sonoro que normalmente o acompanha, mas justamente consequência do silêncio que o precede.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

CRÍTICA: DESVENTURAS EM SÉRIE - 1ª TEMPORADA


Se você não quer ler sobre um seriado que adapta pela segunda vez às telas a obra de Lemony Snicket (heterônimo de Daniel Handler), então talvez seja melhor conferir uma crítica mais agradável. O texto a seguir é recheado de comparações com a versão para o cinema de Desventuras em Série (2004), de análises sobre a representação eficiente do ponto de vista infantil, e de apontamentos acerca de interesses comerciais usados de forma cínica numa narrativa – expressão que aqui quer dizer “talvez os representantes corporativos da Netflix tenham mandado os roteiristas encher linguiça”. Mas, principalmente, se você não quer saber como esse universo caricato habitado pelos órfãos Baudelaire fala sobre o incentivo à leitura e à criatividade, infelizmente os próximos parágrafos serão uma decepção medonha. CONTINUE LENDO AQUI>>>